Presidente da ACS-PMRN depõe em sindicância por denúncia de falta de estrutura para PMs

O presidente da ACS-PM (Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do RN),  Roberto Campos, foi ouvido no último dia 26 de abril nos autos de Sindicância formulada pelo Comando da Corporação, visando apurar as denúncias realizada pela Associação de Cabos e Soldados sobre a falta de condições de trabalho que os Soldados recém formados estavam enfrentando.

Na época da denúncia, repercutiu muito o fato de que os novos policiais militares estarem dormindo em colchões improvisados e amontoados no chão das dependências da Unidade da PMRN.

Segundo o que foi apurado na época, os policiais tinham que pernoitar em razão de estarem lotados provisoriamente em Organizações Policiais Militares distantes de seus domicílios.

De acordo com a ACS-PM causa estranheza e repúdio,  o fato de um Presidente de uma entidade representativa de Praças ser ouvido em procedimento administrativo pela mera questão da entidade a qual ele é ligado haver denunciado a falta de estrutura e de buscar melhores condições para os Policiais Militares desempenharam suas funções, o que deixa uma mensagem subliminar de tentativa de punir aqueles que falam em defesa da tropa.

Estranha mais ainda é a passividade e talvez a conivência do Governo da Professora Fátima Bezerra em assistir de braços cruzados o quanto a tropa e os representantes de classes são perseguidos no Estado Democrático de Direito, a frase “Nenhum direito a menos” soa como meras palavras jogadas ao vento.

No último dia 22 de abril uma nota conjunta de entidades representativas dos praças foi publicada sobre o caso, confira na íntegra:

O movimento representativo dos militares estaduais corre sério risco no Estado do Rio Grande do Norte, isso porque tem sido alvo de ações que tentam calar a voz da categoria em *suas atribuições de fiscalizar, denunciar e cobrar condições dignas e adequadas* de trabalho dos operadores de segurança.

O Sargento Roberto Campos, presidente da ACS-PM/RN foi intimado por meio do ofício n° 24/2021 da Assessoria Administrativa do Comando, para prestar depoimento na próxima segunda-feira (26.04) acerca das denúncias formuladas em matéria da ACS-PM que relatava que os soldados recém formados estavam dormindo amontoados no chão das unidades do interior.

Existe informes que a Assessoria Administrativa também já ouviu em depoimento na sindicância o soldado que supostamente teria feito a foto que foi vinculada na matéria, com a clara finalidade de também punir o militar.

Se percebe que estão querendo “calar a voz” dos policiais militares por meio da criminalização das atividades das entidades representativas de praças, o que causa estranheza, em especial, pelo fato da Governadora que é a Comandante e Chefe da Polícia Militar se dizer de origem sindical e de luta.

No caso específico do Sargento Roberto, sequer consideraram o momento delicado que passa o Militar, que a 10 dias sofreu com o falecimento do seu Pai pela COVID-19 e que se encontra com sua mãe internada, bem como, que estava de atestado até o dia de ontem pelo fato dele e toda sua família também estarem acometidos pela doença, mas, na visão do Comando da Instituição, “a criminalização dos movimentos não pode esperar”.

O Comando da Corporação prefere punir os militares que lutam por melhorias das condições de trabalho dos operadores de segurança pública, do que trabalhar para proporcionar as condições dignas cobradas pelas entidades.

Nota Conjunta das Entidades Representativas de Praças

ASSPMBMRN – ACSPMRN – ABMRN – APRAM – APBMS – ASSPRA – APRORN