EDUCAÇÃO E TRÂNSITO: CADA VEZ MAIS DISTANTES

Sabemos que o primeiro passo para solucionar um problema é procurar compreendê-lo. No trânsito não é diferente. Sabemos que o Brasil está entre os países com mais mortes no trânsito do mundo, em média 40.000 mil pessoas morrem por ano no país. Os acidentes no trânsito são a segunda maior causa de mortes no Brasil. São mais de cem mortes por dia, segundo o Conselho Federal de Medicina. As consequências da violência no trânsito se expressa também na superlotação das emergências médicas e na oneração do custo dos procedimentos no SUS. O custo médio anual para atender as vítimas do trânsito no SUS chega a 50 bilhões de acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária.

Com o propósito de reduzir as mortes no trânsito, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2009, estabeleceu uma meta de reduzir em 50% o número de acidentes em um período de dez anos, durante a década (2011-2020), o Brasil não conseguiu atingir o objetivo. Mesmo não tendo atingindo a meta proposta houve, no período, uma expressiva redução no número de mortes registrada no trânsito. Saímos de 43.256 mil mortes em 2011 para 30.371 mil mortes em 2020, segundo o DataSUS. Fica claro a importância de definir metas e implementar ações que possam, de forma colaborativa, contribuir para a redução dos óbitos.

Seguindo a tendência nacional, por aqui no RN, foi possível verificar uma considerável redução das mortes no trânsito potiguar no período. Com base nos dados publicados pelo CIOSP/DETRAN-RN, saímos de 784 mortes em 2012 para 513 em 2019. Apesar do número de óbitos ainda ser considerado elevado, a redução é um dado positivo. As reduções das mortes também foram percebidas na capital; saindo de 87 mortes em 2012 para 57 mortes em 2019. Olhando para a região metropolitana um dado chama atenção. Enquanto a maioria dos municípios reduziram as mortes no trânsito, Extremoz seguiu na contramão e teve um aumento de 40% nas mortes, segundo os dados publicados. Os dados completos e detalhados com diversos indicadores e estatísticas comparadas podem ser conferidos no link a seguir.

http://www.detran.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=143054&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=Estat%EDstica

As principais causas de óbitos no RN são acidentes envolvendo motociclistas e atropelamentos. O que os diversos municípios que conseguiram reduzir o número de mortes no seu trânsito têm em comum é o compromisso em estabelecer uma meta de redução, seguindo as diretrizes da OMS, e implementar um conjunto de ações preventivas que, com a conscientização e colaboração da sociedade, possam salvar vidas. Por meio da campanha Maio Amarelo, a capital potiguar conseguiu atingir a meta de reduzir em 51% as mortes no trânsito. https://portal.natal.rn.gov.br/news/post/34468

Várias iniciativas podem ser verificadas pelo país como a campanha da prefeitura de Campinas-SP chamada de 3Rs (respeite, repense e reduza) voltada para os motociclistas. Evidente que um trânsito mais seguro é responsabilidade de todos. Todos devem contribuir fazendo a sua parte, a educação é o único caminho. A imprudência e o álcool ainda lideram os fatores de risco na maioria das mortes. Assim como o cidadão tem o dever de fazer a sua parte o poder público precisa se movimentar e procurar pensar e implementar ações que possam ajudar a atingir a meta proposta pela OMS, exemplos pelo país não faltam, como campanhas educativas, aderir a semana nacional do trânsito, ao Maio amarelo, a intensificação da fiscalização, organização, Blitz da lei seca, promover a educação para o trânsito, realizar ações simuladas, ações de conscientização, melhorar a sinalização e horizontal e vertical das vias, bem como promover a iluminação dos principais trechos do município, melhorar a estrutura e condições das ruas esburacadas.

Recentemente, em Extremoz, tivemos mais uma vítima fatal no trânsito, um motociclista mototaxista que perdeu a vida em um acidente na Rua Pedro Vasconcelos (RN 160) durante a noite. Um local bastante conhecido pelo grande número de acidentes, intenso fluxo de veículos, sem acostamento, sem sinalização horizontal e vertical, sem iluminação, soma-se a isso a imprudência e falta de educação de muitos condutores. O Poder público, em suas várias esferas e competências, precisa dar uma resposta e implementar ações que possam reduzir o número de acidentes e mortes em Extremoz. Muitos municípios já estão se movimentando e colhendo os primeiros resultados, não podemos estagnar.