Dia do Nordestino: Confira alguns poemas e textos que simbolizam esse dia

Hoje, 8 de outubro, é o dia do Nordestino. A data foi instituída em 2009, em homenagem ao centenário do nascimento de Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, poeta popular, compositor e cantor cearense. Além disso, trata-se também de uma homenagem ao célebre Catulo da Paixão Cearense, maranhense de São Luís e autor da famosa música “Luar do Sertão”.

O “Dia do Nordestino” foi criado em São Paulo, por ser a cidade onde vive o maior número nordestinos de todo o Brasil (com exceção do próprio Nordeste, claro).

A cultura popular do Nordeste é muito rica. Seu artesanato, musicalidade, religiosidade, culinária, festividades, mitos, lendas, crendices, costumes, danças, superstições e outras tantas formas de manifestações artísticas deste povo é sensacional. Confira agora alguns poemas e textos que falam sobre o Nordeste e o povo Nordestino:

Eita, Nordeste da peste,
Mesmo com toda sêca
Abandono e solidão,
Talvez pouca gente perceba
Que teu mapa aproximado
Tem forma de coração.
E se dizem que temos pobreza
E atribuem à natureza,
Contra isso,eu digo não.
Na verdade temos fartura
Do petróleo ao algodão.
Isso prova que temos riqueza
Embaixo e em cima do chão.
Procure por aí a fora
“Cabra” que acorda antes da aurora
E da enxada lança mão.
Procure mulher com dez filhos
Que quando a palma não alimenta
Bebem leite de jumenta
E nenhum dá pra ladrão
Procure por aí a fora
Quem melhor que a gente canta,
Quem melhor que a gente dança
Xote, xaxado e baião.
Procure no mundo uma cidade
Com a beleza e a claridade
Do luar do meu sertão.

Luiz Gonzaga de Moura

Se fosse possível, traduziria a palavra Nordeste em uma só palavra. Não dá. Nordeste tem tantos significados que não caberia em um pequeno espaço de dicionário. Nordeste é, em partes, povo sofrido, sim. Mas sofrido e vencedor. Aprendeu com a luta, com a batalha a ser um grande ganhador. Sofreu, caiu, levantou a cabeça e seguiu. Nordeste, pátria de um povo de valor. Pessoas que amam sua terra, e não se importam com as meras palavras de outros ‘abestados’’ sem teor intelectual. Ser nordestino não é vergonha, nem é crime. Ser nordestino é orgulho. Orgulho para um povo sem poucos estímulos, mas muita força de vontade. Quem nasce no Nordeste é ‘’arretado’’, sim. Se escolher eu puder, nasço, novamente, aqui. Terra de grandes talentos, de Jorge Amado, até Rachel de Queirós. Cultura elevada ao céu. Tente entender, se for capaz, com uma leitura de cordel. Não perca seu tempo tentando nos ofender. Somos orgulhosos por nossas terras, e não temos com o que nos ofender. Olhe para si, e veja quanta bobagem iria difamar. Deixe de ignorância, e um dia, quem sabe, venha nos visitar. Só peço que não se impressione, quando sua forma de julgar o Nordeste mudar.

 

No meu Nordeste tem açude e vaquejada
Lá tem de tudo que você imaginar
Tem o vaqueiro que corre atrás do boi
O agricultor em sua terra a semear

Lá tem forró e as grandes noites de novenas
Lindas morenas enfeitando o meu lugar,
Lá na caatinga tem o cheiro da jurema
Tem a rolinha, o beija-flor e o sabiá
Ai que saudade que eu tenho ôô
Vou voltar pro meu lugar áá
Pra ver o Sol no amanhecer
E andar nas noites de luar

Luiz Wilson